A sensação de que os anos aceleram conforme ficamos mais velhos não é apenas impressão, ela está diretamente ligada à forma como o cérebro percebe e registra as experiências. Quando somos crianças, tudo é novo: lugares, cheiros, pessoas, emoções e descobertas. Cada novidade exige mais atenção do cérebro, criando memórias mais detalhadas e marcantes. Como o cérebro registra muita informação nova, aquele período parece mais longo quando lembramos dele.
Com o passar dos anos, a rotina se torna mais previsível. Fazemos trajetos parecidos, vemos as mesmas pessoas e repetimos hábitos diariamente. O cérebro, para economizar energia, passa a registrar menos detalhes desses momentos repetidos. Quando olhamos para trás, há menos “marcos” na memória, e isso cria a sensação de que o tempo voou, mesmo que os dias tenham durado exatamente 24 horas.
Outro fator importante é a proporção do tempo vivido. Para uma criança de cinco anos, um ano representa uma parte enorme da vida. Para um adulto de cinquenta, esse mesmo ano é apenas uma pequena fração da experiência total. O cérebro faz comparações constantes, e quanto maior o histórico de vida, menor parece cada novo período.
Além disso, o ritmo mental muda com a idade. Quando estamos mais jovens, processamos informações de forma mais intensa e emocional. Na vida adulta, muitas situações já são conhecidas, exigindo menos esforço cognitivo. Menos esforço, menos novidade e menos emoção fazem o tempo parecer mais rápido.
Por isso, experiências novas, viagens, aprendizados e mudanças de rotina ajudam a “desacelerar” a percepção do tempo. Não porque o relógio muda, mas porque o cérebro volta a prestar atenção nos detalhes, preenchendo a memória e alongando a sensação de duração da vida.
Nota editorial
Este artigo faz parte do portal Cognos Space, um espaço de ideias, educação e reflexão, mantido pelo Colégio Cognos.
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