Ao acordar, o cérebro precisa fazer uma espécie de “checagem” interna para diferenciar o que foi sonho e o que pertence ao mundo real. Durante o sono, especialmente na fase REM, as áreas responsáveis pelas emoções e pela imaginação ficam muito ativas, enquanto regiões ligadas à lógica e ao senso crítico trabalham de forma reduzida. Por isso os sonhos parecem tão estranhos e intensos: falta a presença desse filtro racional que usamos quando estamos acordados.
Quando despertamos, o córtex pré-frontal — área ligada ao raciocínio, coerência e tomada de decisões — volta a funcionar plenamente. Ele começa a comparar as memórias do sonho com informações armazenadas na consciência, como regras do mundo real, experiências anteriores e noções de tempo e espaço. Se algo não se encaixa nesses padrões, o cérebro rapidamente classifica aquilo como sonho.
Outro fator importante é a estabilidade sensorial. No sonho, as percepções são confusas e podem mudar sem aviso. Ao acordar, os sentidos fornecem sinais consistentes: a luz, o peso do corpo, os sons ao redor. Essa regularidade ajuda o cérebro a confirmar que agora está em um ambiente real. O sistema responsável pela memória também entra em ação, reorganizando o que foi vivido à noite como lembranças frágeis e desconectadas, reforçando que não pertencem ao cotidiano.
Mesmo assim, alguns sonhos muito emocionais podem “enganar” o cérebro por alguns segundos após acordar, porque a parte emocional desperta antes da racional. É por isso que às vezes acordamos assustados, felizes ou confusos, sentindo como se tudo tivesse realmente acontecido.
Nota editorial
Este artigo faz parte do portal Cognos Space, um espaço de ideias, educação e reflexão, mantido pelo Colégio Cognos.
As opiniões aqui expressas não refletem necessariamente o posicionamento institucional do colégio, mas contribuem para o debate e formação crítica dos leitores.