Quando observamos postes de energia nas ruas, é comum notar que alguns cabos não seguem uma linha reta perfeita, mas apresentam uma leve forma de espiral ou curvas. Embora possa parecer apenas um detalhe estético ou até resultado de má instalação, esse formato tem funções técnicas importantes relacionadas à segurança, durabilidade e funcionamento da rede elétrica.
O enrolamento ou curvatura dos cabos de energia elétrica é, na verdade, uma medida pensada para lidar com a dilatação e contração dos materiais. Cabos de metal — geralmente feitos de alumínio ou cobre — sofrem variações no seu comprimento quando expostos a mudanças de temperatura. Em dias quentes, eles se expandem; em dias frios, se contraem. Se estivessem totalmente esticados, a contração poderia causar rompimentos, enquanto a expansão poderia provocar deformações ou até quedas de cabos. A forma em espiral ou levemente ondulada funciona como uma “folga” para que o fio se mova sem causar danos à estrutura.
Além disso, essa leve torção ajuda na absorção de impactos e vibrações causadas pelo vento. Em áreas com ventos fortes ou rajadas constantes, cabos totalmente retos poderiam balançar de forma perigosa, gerando desgaste nos pontos de fixação ou até choques entre eles, aumentando o risco de curto-circuitos. O enrolamento distribui melhor as forças e reduz esse movimento excessivo.
Outro fator importante é que, em alguns casos, o formato helicoidal também facilita a organização e sustentação dos fios durante a instalação, especialmente em cabos de fibra óptica ou cabos multifuncionais (que levam energia e dados juntos). Essa técnica garante que o cabo não sofra torções internas prejudiciais e que a tensão esteja mais uniforme ao longo de sua extensão.
Portanto, longe de ser um detalhe aleatório, os cabos enrolados em espiral nos postes são fruto de um cálculo preciso, que leva em conta as leis da física e a segurança da rede elétrica. Eles ajudam a prolongar a vida útil da instalação, evitar acidentes e garantir que a energia chegue de forma confiável até nossas casas.
Nota editorial
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