Quando fechamos os olhos, o cérebro precisa trabalhar ainda mais para manter o equilíbrio, porque ele perde uma das principais fontes de orientação: a visão. Mesmo assim, não caímos imediatamente, porque o corpo conta com dois outros sistemas extremamente importantes. O primeiro é o ouvido interno, onde ficam estruturas cheias de líquido que se movem conforme inclinamos a cabeça. Esses movimentos ativam sensores que enviam ao cérebro informações sobre direção, velocidade e posição, funcionando como um “nível” natural que indica se estamos estáveis ou não.
O segundo é o sistema proprioceptivo, formado pelos sensores espalhados nos músculos, articulações e tendões. Eles dizem ao cérebro onde cada parte do corpo está sem que precisemos olhar. Quando ficamos de olhos fechados, esses sensores intensificam o trabalho, informando se estamos inclinando, girando ou distribuindo mal o peso. O cérebro combina esses dados com o que recebe do ouvido interno e cria uma espécie de mapa corporal interno para manter a postura.
Sem a visão, esse mapa precisa ser recalculado constantemente, o que exige mais esforço mental. Por isso, ficamos mais instáveis, mesmo sem perceber. Pequenas oscilações que normalmente seriam corrigidas rapidamente pela visão passam a depender apenas desses sensores internos, tornando o equilíbrio um desafio maior.
No fundo, manter-se em pé de olhos fechados é como pedir ao cérebro que resolva um quebra-cabeça com peças faltando. Ele consegue, mas precisa trabalhar mais, usando sentidos invisíveis que funcionam o tempo todo sem que percebamos.
Nota editorial
Este artigo faz parte do portal Cognos Space, um espaço de ideias, educação e reflexão, mantido pelo Colégio Cognos.
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