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Aprendizado

Aprendendo a Domesticar Um Cão Chamado Ego

Nicole Rizzutti Lemos

Publicado

em

Tempo de Leitura: 4 minutos

Conta-se uma história de quando o compositor lírico Giuseppe Verdi apresentou um recital de piano no Scala de Milão, na Itália. Ao terminar sua peça final do programa, a entusiasmada plateia pediu um bis. Deleitando-se com os aplausos, Verdi escolheu tocar uma composição ruidosa e rebuscada, que ele sabia que iria agradar à audiência, embora não fosse boa música no sentido artístico.  

Quando Verdi terminou a peça adicional, todos se levantaram como se fosse um só em sonora aclamação. Ele se deliciou com os aplausos até avistar o seu mentor de toda a vida sentado na galeria. O mentor sabia exatamente o que Verdi tinha feito; por isso, não se levantou com a plateia nem aplaudiu. Verdi viu na face do seu mentor uma expressão agoniada de desapontamento, como se ele estivesse dizendo: “Verdi, Verdi, como você pôde fazer isso?” 

Quando contou essa história, meu falecido amigo Robert D. Foster a chamou de “o vírus de Verdi” – a necessidade de controlar e receber aprovação. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a descreveu da seguinte forma: “Sempre que me elevo, sou seguido por um cão chamado ‘Ego’. O ego incha quando é regado pelo louvor. Ele necessita de poder e sucesso. E jamais fica satisfeito com a quantidade que obtém dessas coisas.” 

O mundo profissional e empresarial alimenta esse desejo com a mensagem incessante de que somos tão bons quanto nossos últimos sucessos. Embora comum, essa necessidade de aclamação por parte de outros pode se mostrar tóxica. Como aconteceu com Verdi, ela pode nos levar a transigir e fazer coisas que sabemos irão gerar a reação desejada, mesmo não sendo a melhor coisa – ou a coisa certa – a ser feita. A Bíblia, que descreve a condição humana com uma honestidade pura e simples, oferece muitos exemplos disso. 

Jesus Cristo falou a esse respeito, frequentemente confrontando os líderes religiosos por fingirem ser o que não eram. Um exemplo clássico é relatado em Mateus 23:27-28: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo o tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade.” 

O que importa é o que está dentro e não o que está fora.  Ao escolher um novo rei para Israel, Deus não estava procurando alguém que passasse no “teste da aparência”, mas, sim, alguém que passasse no “teste do coração”. Ele escolheu Davi, homem que mais tarde foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”. “…O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” (I Samuel 16:7).

O louvor serve como um teste de caráter.  Como reagimos quando recebemos elogios? Nós nos saturamos deles e pedimos mais, ou reagimos com humildade e gratidão? “O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o que prova o homem são os elogios que recebe.” (Provérbios 27:21).  

Colocar os outros em primeiro lugar reduz a necessidade de elogios.  O incansável desejo por elogios concentra o foco sobre nós mesmos. Quando colocamos o foco sobre os outros, porém, nosso ego requer menos atenção. Em um mundo que diz “Tudo gira em torno de mim”, é preciso uma decisão consciente para redirecionar nossa forma de pensar. “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2:3-4).

Próxima semana tem mais!


Robert J. Tamasy, é jornalista, editor e escritor, e autor de “Business at Its Best: Timeless Wisdom from Proverbs for Today’s Workplace” e “Tufting Legacies” (ainda não traduzidos para o português). Em co-autoria com David A. Stoddard escreveu “The heart of Mentoring” e tem editado numerosos outros livros, incluindo “Advancing Through Adversity“, por Mike Landry. Tamasy mantém um site www.bobtamasy-readywriterink.com e um blog atualizados semanalmente www.bobtamasy.blogspot.com. Tradução de Mércia Padovani. Revisão de Juan Nieto.


MANÁ DA SEGUNDA® é uma reflexão semanal do CBMC – Conectando Business e Mercado a Cristo, organização mundial, sem fins lucrativos e vínculo religioso, fundada em 1930, com o propósito de compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo com a comunidade profissional e empresarial. © 2021 – DIREITOS RESERVADOS PARA CBMC BRASIL –  E-mail: adm.mana@cbmc.org.br -Desejável distribuição gratuita na íntegra. Reprodução requer prévia autorização. Disponível também em alemão, espanhol,  inglêse japonês.


Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Você já tinha ouvido essa história sobre Verdi? Em sua opinião, por que o desejo ou mesmo a exigência por elogios e aprovação é tão forte na maioria de nós?

2. Em certo sentido, Verdi reconheceu que apesar do aplauso de muitos, o que mais importava era a aprovação da audiência de uma só pessoa. Como podemos relacionar isso a nossas ações e motivos na esfera espiritual: estamos satisfeitos por vivermos e trabalharmos recebendo a aceitação de uma plateia de apenas Um, o Deus em quem cremos e a quem servimos?

3. Você consegue pensar em exemplos de indivíduos que parecem ter aperfeiçoado a arte de parecerem bons por fora, embora seu interior – seu coração – seja muito diferente? E quanto a ocasiões em que você mesmo tenha feito isso – apresentado no exterior uma falsa aparência para esconder o que se passava por dentro? Explique sua resposta. 

4. Como cultivar uma atitude que coloque as outras pessoas em primeiro lugar, à frente dos nossos interesses? É fácil conseguir isso? Por quê?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 11:2;  16:2, 18; 17:3;  18:12;  22:4; 25:6-7;  27:2;  29:23;  João 12:42-43.  

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